quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Querer NÃO é poder!

"A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte..."
(Titãs/
Composição: Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Sérgio Britto )


     Outro dia conversando com uma colega sobre nossos alunos, ela fez uma brincadeira na qual me despertou para algumas questões de nossa sociedade atual. A conversa era sobre o domínio da Língua Portuguesa, e a professora disse: “Eles (alunos) conjugam muito bem os verbos PODER e QUERER, preferencialmente na primeira pessoa do singular.” Rimos e concordamos em uníssono.
     Mais tarde parei e me perguntei: O que eles podem? O que eles querem? 
    O poder é tão vasto e complexo que vou deixar para a Constituição, a religião e a família responder; limito-me a falar do querer. Mesmo porque não é um verbo exclusivo da linguagem juvenil.
    Desde os primórdios a humanidade não se limita em suprir suas necessidades, que por sinal são as molas propulsoras do progresso. Ghandi já dizia: “Há o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas, não há o suficiente para a cobiça humana.”
    Arnaldo Antunes dá uma amostra em sua música de que ele quer mais, mas o que nós queremos? Existe um limite para o querer? Quando deixa de ser necessário e passa a ser supérfluo?
    Duas décadas atrás se vivia bem sem internet, e hoje? Não falo de Google, Facebook e afins, falo de uma esfera maior (útil) como bancos, escolas, NASA, etc...
   O homem tem criado novas necessidades que passam ser tão fundamentais e necessárias até mesmo para sua sobrevivência.
   Então o que “coloco em xeque” aqui não é o QUERER, mas o que se tem feito pra suprir esses desejos.
   O pensamento e a consciência são frutos da necessidade, mas alguns agem irracionalmente em nome de um querer imediato. A psicologia define esse comportamento como a “incapacidade de adiamento de prazer”.
   Muitos de nós trabalhamos 8 a 12 horas diárias e continuamos com dívidas e financiamentos a perder de vista. Devemos então refletir: Quero, mas posso?
Se dizem que posso, qual a conseqüências desse poder que me é oferecido?
   Um amigo da família brinca dizendo: “O dinheiro de comprar fiado nunca acaba.” E há muita verdade nisso, hoje o poder de compra está “democratizado”, em muitas lojas e financiadoras não é exigido comprovante de renda ou até mesmo consulta aos serviços de proteção ao crédito (SERASA).  Ou seja, você pode estar endividado, desempregado e ainda aumentar seu saldo devedor. Só espero que não te vendam uma corda fiado, pois suicida não paga as contas.
   Pode até ser um chiste de mau gosto, mas as dívidas tem sido sim uma das causas de doenças emocionais. Quem está endividado se sente prisioneiro, humilhado e fracassado, mesmo o mais “caloteiro” da praça não usufrui de paz interior.
   Finalizo afirmando que não há nada de errado no querer, mas sugiro que avaliemos melhor como poderemos saciar ou não esses desejos.

Acima de tudo o que tenho, e quero, está o que SOU!

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